Lisbon,
09
Janeiro
2018
|
18:52
Europe/Lisbon

As Perspectivas para 2018? Beneficiar deste Momentum

Na reta final do ano são inevitáveis as projeções de onde estará Portugal em matéria de investimento no setor hoteleiro e os primeiros 9 meses do ano de 2017 deixam boas perspetivas para 2018, já que os volumes transacionados a nível europeu registaram uma subida de 16%, atingindo os 14 Mil Milhões. Os países do sul da Europa – Espanha e Itália – em conjunto com o Reino Unido, apresentaram os crescimentos mais acentuados no mesmo período, com subidas de 112% e 31%, respetivamente.

Face a este cenário, 2018 deverá ser mais um ano de forte investimento na hotelaria a nível europeu, e Portugal, a par de outros países do sul da Europa, deverá estar entre os principais alvos. Esta performance deverá ser sustentada na venda de diversos portfolios e plataformas de gestão, muitas delas que regressam ao mercado, após terem sido transacionadas durante a crise.

Assim, para o próximo ano, perspetivamos a manutenção da procura por ativos na Europa, mas com forte enfoque nos países do Sul, nomeadamente Portugal, à medida que os receios e oportunidades em Espanha e Itália se tornam mais limitadas. As razões para este comportamento são várias, sendo que apresentamos oito premissas:

1)Falta de stock e preços elevados – Berlim e Londres com rendas fixas de 4% – levam os investidores a procurarem destinos secundários e investimentos alternativos;

2)Os fundos de Private Equity Americanos, tipicamente mais exigentes em termos de retorno, terão de se focar em mercados menos “tradicionais”;

3)Apesar das limitações impostas à saída de capital da China, assistimos a uma compensação por parte de outros investidores Asiáticos – Hong-Kong, Singapura e Sudeste Asiático – com forte interesse nas economias do Sul;

4)Crescente procura por plataformas de gestão, garantindo o acesso a portefólios de hotéis e a equipas de gestão experientes, permitindo saídas rápidas e a prémio;

5)Existência de uma elevada percentagem de contratos de arrendamento, permitindo a entrada de investidores institucionais;

6)Definição de estratégias asset light por parte de alguns operadores;

7)Maior pressão europeia para o desinvestimento dos fundos de reestruturação;

8)Potencial para reposicionar os hotéis portugueses e aproximar as ADR’s de outros concorrentes como Croácia, Grécia ou Itália;

Portugal, pelas várias razões acima referidas – entre outras – deverá de facto beneficiar deste momentum à medida que os investidores internacionais voltam a ganhar e – melhor ainda – reafirmar a confiança no nosso país.

 

 

 

Duarte Morais Santos, Consultor Sénior, CBRE Hotels

 

 

 

 

*Artigo publicado na edição de dezembro da revista Publituris Hotelaria.