Lisbon,
02
Agosto
2018
|
17:06
Europe/Lisbon

CBRE Regista o Mais Elevado Volume de Investimento em Imobiliário Comercial num Semestre em Portugal

O setor do imobiliário em Portugal mantém um elevado ritmo de atividade, superando as expetativas mais otimistas para o mercado.

Na análise realizada pela CBRE relativamente ao primeiro semestre de atividade em Portugal verifica-se que a continuação das taxas de juro, a níveis historicamente reduzidos, assegura uma elevada liquidez a nível global, parte da qual está a ser canalizada para o mercado imobiliário em níveis nunca antes registados. No mercado nacional, os fortes fundamentos do mercado imobiliário, nomeadamente de escassez de oferta face a uma elevada procura e consequente subida do valor das rendas, reforçam a atratividade do setor.

Mercado de Investimento

Os primeiros seis meses de 2018 registaram o mais elevado volume de investimento em imobiliário comercial alguma vez observado num semestre em Portugal, antecipando um novo recorde para a totalidade do ano.

No primeiro semestre foi investido um montante de 1.400 milhões de euros em imobiliário comercial de rendimento, num total de 23 transações. Este semestre destaca-se por incluir no Top 10 das mais elevadas transações de sempre (apuradas pela CBRE desde 2003), um total de 3 negócios - o portefólio da Blackstone, compreendendo o Forum Montijo, o Forum Sintra e o Sintra Retail Park; o Dolce Vita Tejo; e o Lagoas Park.

O Lagoas Park, localizado no concelho de Oeiras, é considerado o melhor parque empresarial do país e foi adquirido pelo fundo de investimento norte americano Kildare. A transação que totalizou cerca de 375 milhões de euros incluiu 13 edifícios de escritórios, uma galeria comercial, um ginásio, uma escola, um hotel de 4 estrelas com centro de conferências, assim como um parque de estacionamento público.

O investimento em centros comerciais rondou os 650 milhões de euros no primeiro semestre, num total de 4 centros comerciais incluindo os 3 acima mencionados bem como o SerraShopping.

Deste modo, no primeiro semestre de 2018, os ativos de retalho contribuíram para uma quota de 57% do total do investimento e os escritórios com 37%. A origem do capital é quase exclusivamente internacional com uma relevante quota do mercado francês - 46%.

Encontram-se atualmente em comercialização, ou entram em breve, outros 11 centros comerciais. Sendo previsível que nem todas as operações se concluam este ano, a CBRE prevê que o ano de 2018 encerre com aproximadamente 1.400 milhões de euros de investimento no setor, claramente um recorde histórico. A CBRE estima que o volume de investimento vai exceder, assim, os 3.000 milhões de euros este ano, podendo atingir os 3.400 milhões (depois de registar um máximo histórico de 2.200 milhões no passado ano).

A taxa de rentabilidade prime (yield) manteve-se estável em todos os sectores: em 4,5% nos ativos de escritórios e de comércio de rua (yield bruta), 4,75% nos centros comerciais (yield líquida) e 6,5% em imóveis de logística (yield bruta). É provável que vejamos ainda uma compressão de 25 pontos base em alguns setores, até ao final do ano; no entanto, a maior valorização dos ativos deverá resultar da subida do valor das rendas.

Cristina Arouca, Diretora de Research da CBRE Portugal
O investimento em imobiliário comercial de rendimento supera todas as expetativas e reflete a manutenção de uma elevada liquidez a nível global e as perspetivas de um significativo crescimento dos valores das rendas em Portugal.
Cristina Arouca, Diretora de Research da CBRE Portugal

Mercado de Ocupação

Apesar de uma escassez generalizada de oferta, o setor de escritórios continua a apresentar níveis muito interessantes de absorção. No primeiro semestre de 2018 foram ocupados 83.000m2 em Lisboa e 43.500m2 no Porto, significando acréscimos de 6% e 40% respetivamente, em relação ao período homólogo. Destaca-se a ocupação de espaços por parte de empresas de serviços de outsourcing (nomeadamente centros de serviços partilhados e contact centres) e de tecnologias de informação, assim como ocupantes de espaços flexíveis (sejam operadores, empresas de co-working, aceleradoras ou incubadoras de empresas).

 

O crescimento de oferta de espaços flexíveis é uma das principais tendências do mercado de escritórios e que se reflete, tanto na criação de novas empresas dedicadas a este negócio, como à expansão das que já se encontram presentes no mercado, permitindo ainda a entrada de operadores internacionais. No primeiro semestre de 2018, os espaços flexíveis representaram 14% da área de escritórios ocupada em Lisboa.

A procura mantém-se robusta e os novos escritórios que são colocados no mercado são rapidamente ocupados, verificando-se em muitos casos o arrendamento dos edifícios na sua totalidade, mesmo antes da conclusão da obra. Este desfasamento entre oferta e procura de imóveis para arrendamento, reflete-se numa pressão em alta sobre rendas prime, as quais aumentaram, no primeiro semestre, 2,5% em Lisboa e 11% no Porto, para 20,5€/m2/mês e 15,5€/m2/mês respetivamente.

Em Lisboa, apesar de existir um volume significativo de projetos em pipeline (em fase de estudo ou licenciamento), a área de escritórios atualmente em construção é reduzida, pelo que a escassez de oferta disponível irá prevalecer até 2020. Pelo contrário, no Porto, o stock em construção é mais significativo, estimando-se a conclusão de cerca de 80.000m2 em 2019, dos quais 25% já estão reservados. A construção de projetos à medida do ocupante e a celebração de contrato de pré-arrendamento, ou seja, antes da conclusão das obras, vão ser cada vez mais frequentes.