Lisbon,
23
Janeiro
2018
|
17:32
Europe/Lisbon

As 10 tendências que vão marcar o mercado imobiliário em 2018

Este é o balanço da Conferência Tendências do Mercado Imobiliário, organizado pela CBRE em parceria com o Expresso, que decorreu no dia 18 de janeiro no Centro Cultural de Belém.

 

1 – ECONOMIA PORTUGUESA CONTINUA A CRESCER

Projeções da Oxford Economics dão como certa a trajetória ascendente da economia nacional, com um aumento de 2,2% do PIB sustentado por um aumento do investimento e das exportações. O consumo privado vai continuar a crescer (cerca de 2,1%) e o salário mínimo nacional crescerá 4,1%. Por outro lado, prevê-se que a taxa de desemprego diminua em 1 ponto percentual, aproximadamente, ou seja, para 7,3%. A inflação poderá atingir os 1,2%. Espera-se que os juros da dívida se mantenham abaixo dos 2%. Boas notícias, portanto.

2 – INVESTIMENTO NUM NOVO PATAMAR

A nível global as taxas de juro deverão manter-se reduzidas, propiciando elevada liquidez. Paralelamente, a economia nacional cresce a um ritmo nunca visto desde o início do século e o investimento vai atrás. Prevemos assim que, em 2018, se ultrapasse o nível de investimento observado em 2017, com um novo recorde que pode atingir os 2,6 mil milhões de euros só em imobiliário comercial. Esta previsão pode ser superada se se concretizarem, à semelhança do ano anterior, operações de Fusões & Aquisições. As taxas de rentabilidade poderão descer ainda mais em alguns setores prime.

3 – CRESCENTE INTERESSE POR PRODUTOS ALTERNATIVOS E PROMOÇÃO

Verifica-se, ainda, um crescente interesse por produtos alternativos, tais como residências de estudantes e unidades de saúde. Assim, estimamos que, este ano, o investimento nestes produtos possa representar 10 a 15% do total. Acreditamos também que o mercado livre de arrendamento venha a despertar os investidores para o produto residencial de rendimento, o que significará mais casas disponíveis para arrendar.

Devemos igualmente continuar a observar a aquisição de imóveis para reabilitação, por parte de investidores institucionais estrangeiros, tradicionalmente mais avessos ao risco, e a entrada destes investidores em projetos de construção de raiz, de maior escala.

4 – ESCRITÓRIOS: UMA NOVA CULTURA

A falta de produto de escritórios irá perdurar ao longo de 2018 e refletir-se num aumento dos pré-arrendamentos e das renegociações. Simultaneamente a escassez de oferta e uma nova cultura de trabalho incentiva a conversão e ocupação de edifícios obsoletos que não eram inicialmente de escritórios, tais como armazéns, oficinas automóveis e galerias comerciais tanto em Lisboa como no Porto. Os escritórios têm uma aparência de “não escritório” e adaptam-se a uma nova cultura de trabalho mais orientada para as pessoas. São “new ways of working”. A oferta e procura de espaços de escritórios flexíveis irá aumentar.

5 – COMÉRCIO EM EXPANSÃO

O comércio de rua vai certamente atrair um número crescente de consumidores e prevê-se a continuação da sua expansão para artérias envolventes aos chamados eixos “prime”. Na capital, destaque para o eixo Santos/Santa Apolónia que deverá continuar a acolher novas lojas, particularmente de restauração fruto do turismo e da reabilitação de diversos edifícios. Quanto a centros comerciais, cada vez mais as inaugurações são substituídas por projetos de expansão de área, renovação e inovação. Em 2018, a maioria das obras visará as zonas de restauração e o aumento da oferta de lazer.

6 – ECOMMERCE INFLUENCIA SETOR DO RETALHO

É previsível que as vendas do comércio eletrónico em Portugal registem cada vez maiores aumentos e 2018 não será exceção, com um crescimento estimado de 13%. Face a esta circunstância, nos próximos anos iremos certamente observar uma gradual integração e complementaridade entre o tradicional e o virtual que se irá refletir na redefinição do conceito de lojas físicas, nomeadamente no espaço e serviços que oferecem.

7 – SOLUÇÕES ALTERNATIVAS COMBATEM ESCASSEZ DE OFERTA LOGÍSTICA

Os espaços disponíveis no mercado logístico escasseiam em Lisboa e no Porto, o que está a condicionar a expansão do setor em 2018. No entanto, estão previstos novos projetos de construção, sobretudo de plataformas logísticas à medida. Localizações junto aos centros urbanos vão ser cada vez mais procuradas, bem como soluções de armazenagem alternativas nos centros das cidades. Prevemos ainda que o crescimento exponencial do comércio eletrónico conduza ao aparecimento de estruturas dedicadas a este canal de vendas.

8 MERCADO RESIDENCIAL EM FRANCO DESENVOLVIMENTO

A oferta residencial tem vindo a crescer a um ritmo expressivo nos últimos anos mas é ainda insuficiente em relação à procura. Efetivamente, cerca de 90% das vendas em Lisboa são efetuadas ainda em planta. A reabilitação de imóveis irá gradualmente dar lugar à construção de raiz, esperando-se que traga maior escala à oferta e um aproveitamento mais eficiente dos espaços. A longo prazo, prevemos observar uma redução da dimensão média das casas.

9 – PREÇO DAS CASAS A AUMENTAR

Para este ano, prevemos que o preço de venda das casas prossiga em alta, registando mesmo acréscimos superiores aos de 2017, tanto nas novas como nas usadas. Uma realidade que poderá ser contrariada com o licenciamento mais rápido dos novos projetos mas que não se fará sentir antes de 2019. Quanto ao mercado de arrendamento, e apesar dos novos incentivos ao arrendamento tradicional que potenciam a oferta, estimamos um aumento dos valores na ordem dos 5 a 10% em Lisboa. O financiamento bancário vai continuar a aumentar.

10  DIVERSIFICAÇÃO DA OFERTA NO SETOR HOTELEIRO

O turismo deverá manter, este ano, a trajetória de crescimento embora mais moderada do que em 2017, nomeadamente no número de dormidas, na taxa de ocupação e no preço médio por quarto. Os novos projetos irão demarcar-se pela diferenciação, quer ao nível da arquitetura/design como das zonas de lazer e respetiva oferta, bem como da integração com a comunidade envolvente. Ao mesmo tempo, novos operadores internacionais deverão entrar no país, em particular espanhóis. Portugal continua a estar na moda!