Lisbon,
24
Fevereiro
2017
|
11:05
Europe/Lisbon

Mercado Imobiliário - As Dez Tendências que Vão Marcar 2017

O balanço da conferência “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”, uma parceria entre a CBRE e o jornal Expresso, que decorreu no dia 31 de Janeiro no Centro Cultural de Belém, em Lisboa.

  1. Desde a chegada de Donald Trump ao poder presidencial até ao Brexit, “todos os fatores pressionam para o aumento das taxas de juro praticadas pelos bancos”, um fenómeno que poderá fazer sentir-se no país em 2017, abalando o mercado imobiliário, segundo Pedro Santos Guerreiro, diretor do Expresso e moderador da conferência “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”, que a CBRE e o semanário Expresso organizaram esta semana, em Lisboa. E porque a perceção externa depende do conceito de segurança, “o Governo está a tentar criar uma narrativa para o exterior” na qual encaixa o tema da estabilidade política e social.
  2. O diferencial das taxas de rentabilidade (yields) de Portugal em relação a outros países da Europa Ocidental, particularmente Espanha, joga a favor do mercado imobiliário nacional, que mostra estar num momento de “muita liquidez” e segurança, de acordo com a análise de Cristina Arouca, diretora da área de Research da CBRE. Contudo, face à incerteza derivada do crescimento da Taxa de Juro da dívida pública prevê-se o início da estabilização das yields prime com uma expectativa de retorno agora mais assente no crescimento das rendas. No entanto se o contexto económico for favorável poderá ainda verificar-se uma nova compressão das yields em alguns casos. Efetivamente “No sector dos escritórios estamos a negociar com alguns clientes com retornos abaixo de 5%, para não falar do retalho de rua em que as yields se poderão fixar nos 4,5%. E há transações em logística abaixo dos 6,75%”, pormenorizou Nuno Nunes, diretor de Capital Markets na conferência conjunta que a CBRE e o Expresso organizaram esta semana, em Lisboa, para apresentar o estudo “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”.

  3. “Com taxas de capitalização tão baixas, estamos a ver a saída de alguns investidores, de perfil mais oportunísticos ou value-add, como os americanos, que foram dos principais em 2015”, destacou Cristina Arouca, diretora de Research, na conferência conjunta que a CBRE e o Expresso organizaram esta semana, em Lisboa, para apresentar o estudo “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”. Mas se o interesse do mercado norte-americano é decrescente, Nuno Nunes, diretor de Capital Markets, apontou o domínio de outros investidores core ou core plus em 2016, como foram o caso de empresas como a AXA, a Merlin ou o Deutsche Bank. São nomes que deverão continuar a fazer-se ouvir durante este ano, com a adição de “players menores” de outras origens, com destaque para a Ásia.

  4. No ano passado, foram ocupados cerca de 144 mil metros quadrados de escritórios em Lisboa, um número que não fugiu muito à realidade de 2015 mas que, segundo Cristina Arouca, diretora de Research, “ainda está longe” do cenário pré-crise económica. A escassez de oferta é o que mais preocupa este sector e vai continuar a sentir-se até 2018. Só no segmento dos BPO (Business Process Outsourcing) existe atualmente uma procura a rondar os 100 mil metros quadrados, sobretudo em Lisboa e no Porto, mas “os edifícios não se constroem num estalar de dedos”, justifica André Almada, senior director de Advisory & Transactions, na conferência conjunta que a CBRE e o Expresso organizaram esta semana, em Lisboa, para apresentar o estudo “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”.

  5. O quadro de crescimento económico e de emprego, deverá afetar positivamente o plano empresarial nacional e consequentemente a ocupação de espaços de escritórios, como se percebeu na conferência conjunta que a CBRE e o Expresso organizaram esta semana, em Lisboa, para apresentar o estudo “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”. No entanto são empresas internacionais que deverão continuar a impulsionar a ocupação de espaços de escritórios no país. Empresas que concentram em Portugal serviços partilhados, como o BNP Paribas, ou contact centres, como a Teleperformance, viram nos preços baixos do parque imobiliário, segurança, elevada taxa de desemprego de uma população qualificada e com domínio de línguas estrangeiras janelas de oportunidade. O fenómeno dinamizou as duas maiores cidades, Lisboa e Porto, mas pode não ficar por aqui.

  6. 2017 deverá ser um “ótimo ano para o comércio de rua”, acredita Carlos Récio, diretor de Retail Agency. Com o crescimento do turismo; o investimento no plano da reabilitação urbana – que disponibilizará novos ativos e oportunidades –; e a requalificação de partes específicas de algumas cidades – como aconteceu recentemente na zona do Saldanha, em Lisboa –, o espaço público mostra-se tendencialmente dinâmico, com destaque para o florescimento de negócios na área da restauração. Perante este quadro, “as rendas não podem deixar de subir”, sublinhando-se o potencial de valorização em 15 a 20% na zona do Chiado, em Lisboa, destaca Carlos Récio na conferência conjunta que a CBRE e o Expresso organizaram esta semana, em Lisboa, para apresentar o estudo “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”.

  7. O que acontecerá na esfera dos centros comerciais? Em 2017, sabe-se que Loulé irá receber o MAR Shopping Algarve e que no Alentejo será inaugurado o Évora Shopping, mas dada a maturidade deste mercado, poderemos estar a entrar num período mais fértil para as expansões e requalificações de estruturas já existentes. Como explica Carlos Récio, “cada vez mais os clientes querem experiências”, portanto, as atualizações de espaços como praças de alimentação ou zonas de lazer poderão ser diferenciadoras na escolha de um centro comercial, já que a oferta de lojas é “muito similar”. A ascensão do comércio online não é, para já, uma preocupação em Portugal, como deu para perceber na conferência conjunta que a CBRE e o Expresso organizaram esta semana, em Lisboa, para apresentar o estudo “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”.

  8. Há sensivelmente quatro anos que não são construídos novos armazéns de grande dimensão no território nacional, mas perante o crescimento das empresas de grande distribuição, deveremos assistir a uma promoção imobiliária neste segmento. “A Jerónimo Martins e a Mercadona (que está a entrar pelo norte do país) estão a investir e precisam de grandes plataformas logísticas”, lembra Nuno Pereira da Silva, diretor associado da Industrial & Logistics Agency, na conferência conjunta que a CBRE e o Expresso organizaram esta semana, em Lisboa, para apresentar o estudo “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”. Por isso, “claramente, tem de haver construção”, que deverá iniciar este ano para dar lugar à ocupação dos novos espaços em 2018.

  9. O plano da habitação tem assistido a uma recuperação que culminou em mais de 130 mil fogos vendidos em 2016 (um aumento de cerca de 20% face ao ano anterior). No entanto, a oferta atual é “reduzida e pouco diversificada”, apresentando tipologias e áreas “relativamente pequenas para o mercado nacional”, nota Frederico Mendonça, diretor da Residential Agency, na conferência conjunta que a CBRE e o Expresso organizaram esta semana, em Lisboa, para apresentar o estudo “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”. Estando a reabilitação confinada a uma pequena escala e sendo a construção nova residual, prevê-se que construção continue em curva de crescimento mas não num ritmo suficientemente elevado para responder à procura. O investimento continua a ser sobretudo estrangeiro e de particulares que vêem no plano imobiliário uma área segura de aplicação financeira. Neste plano, os franceses continuam a ganhar terreno (ainda que o movimento possa ser influenciado pelos resultados das eleições presidenciais deste ano) e o mercado turco surge como uma nova tendência.

  10. 2016 fica marcado por mais um recorde no plano do turismo: Portugal deve ter registado cerca de 53 milhões de dormidas, mais 10% do que no ano anterior. E para 2017 a previsão é de um novo aumento de dez por cento no campo da procura, acompanhado de apenas 5% de capacidade hoteleira. Este diferencial permitirá aumentar os preços médios de estadia, sobretudo em Lisboa, Porto e Algarve. No ano em que se espera a revisão da legislação que abrange o alojamento local, “iremos assistir a um abrandamento da criação de novas unidades inseridas nesta categoria, bem como da saída de cena dos alojamentos menos profissionalizados”, segundo Eduardo Abreu, partner da neoturis, empresa participada CBRE, na conferência conjunta que a CBRE e o Expresso organizaram esta semana, em Lisboa, para apresentar o estudo “Tendências do Mercado Imobiliário 2017”.

Aceda aqui ao estudo completo Tendências do Mercado Imobiliário 2017.