Lisbon,
27
Março
2018
|
12:24
Europe/Lisbon

Setor Industrial é o Mais Procurado por Investidores Europeus

Setor industrial e logístico está no topo das preferências de 33% dos investidores na região EMEA (Europa, Médio Oriente e África), superando pela primeira vez os escritórios

Resumo

Paris, Madrid, Amesterdão, Frankfurt e Londres são as cidades europeias mais procuradas para investir

33% dos investidores planeiam investir mais em 2018 do que em 2017

70% dos investidores procuram ativamente investimentos em imobiliário alternativo

Industrial, e em particular logística, é o setor imobiliário mais procurado por investidores europeus, ultrapassando pela primeira vez os escritórios, de acordo com o estudo anual da CBRE Investor Intentions Survey para a região EMEA. Com o crescimento do e-commerce a continuar a beneficiar o setor, um terço (33%) dos inquiridos na Europa expressou a sua preferência pelo imobiliário industrial, refletindo a tendência global.

Na região EMEA, os escritórios ficaram em segundo lugar, reunindo as preferências de 26% dos inquiridos, com os investidores a favorecer mercados com fortes fundamentos económicos que favoreçam o aumento das rendas e elevados níveis de liquidez. O imobiliário residencial teve o aumento mais acentuado em termos de popularidade, quando comparado com 2017, e foi a classe de ativos eleita por 21% dos inquiridos.

Nuno Nunes, Director de Capital Markets da CBRE Portugal
Este fenómeno em Portugal apenas agora começa a ser sentido de forma mais evidente com aumento na procura de armazéns para comércio online, principalmente armazéns de proximidade e não grandes plataformas. Ainda no retalho tradicional existem vários players que estão a ampliar de forma significativa as suas redes de distribuição promovendo também a forte expansão das suas plataformas logísticas, esperando-se a construção de mais de 300.000m2 nos próximos 2 anos. Para 2018, em Portugal, vai continuar a existir uma forte procura de escritórios suportados por escassez de espaço e subidas de rendas e de centros comerciais que estão a atravessar uma fase de mudança de paradigma. Destaca-se também a tendência de procura por imobiliário alternativo, nomeadamente em hospitais e residências para estudantes que deverão registar um volume de investimento significativo.
Nuno Nunes, Director de Capital Markets da CBRE Portugal

Os investidores são cada vez mais criativos na procura de alternativas para aplicar o capital, derivado do elevado preço dos imóveis e da reduzida disponibilidade de ativos core. Na região EMEA, 72% dos entrevistados indicaram que já investiram em imobiliário alternativo e 70% revelaram que estavam ativamente à procura de oportunidades nestes sectores.

O imobiliário alternativo aumentou 45% no volume de investimento dos últimos dez anos, resultando em 23,6 mil milhões de euros em 2017. Os investidores são mais propícios a investir em residências para estudantes (53%), residências para seniores (38%) e dívida (37%). Os investidores querem aumentar a exposição a estes sectores, refletindo amplamente a tendência global.

Paris, Madrid, Amsterdão, Frankfurt e Londres foram os cinco destinos mais procurados na Europa para os investidores europeus. Paris saltou do quinto para o primeiro lugar, relativamente a 2017, impulsionado pelas expetativas de que o contexto político e económico verificado na segunda metade de 2017 terá um impacto positivo no mercado imobiliário. Londres continua a ser um alvo prioritário para os investidores localizados fora da Europa e continuará, sem dúvida, a ver o maior volume de investimento quando comparado com outras cidades europeias.

Jonathan Hull, Managing Director de EMEA Capital Markets na CBRE
Embora o sentimento nem sempre se traduza diretamente em volumes de investimento, as preferências dos investidores indicam quais os mercados que poderão ver uma maior atividade nos próximos 12 meses. Desde há alguns meses que assistimos a uma mudança de sentimento em França, após a eleição do presidente Macron e o consequente impacto que criou nas perspetivas de crescimento económico do país. Madrid viu um forte interesse dos investidores graças à melhoria da economia. Em Amsterdão, o reduzido nível de promoção imobiliária e a diminuição das taxas de disponibilidade tornaram a cidade mais atrativa para investidores. A atual pujança da economia alemã e a falta de oferta continuam a impulsionar a procura em todos os seus principais mercados .
Jonathan Hull, Managing Director de EMEA Capital Markets na CBRE

Apesar de 2017 ter sido um ano recorde em termos de investimento no mercado imobiliário na Europa, com volumes na ordem dos 291 mil milhões de euros, os investidores europeus esperam injetar mais capital em 2018 do que em 2017. Um terço dos investidores da região EMEA (33%) espera gastar mais este ano do que no último, em comparação com os 26% no ano passado. A nível global, 45% dos investidores preveem canalizar mais capital para o setor imobiliário. No entanto, à semelhança do que se verificou em 2017, a disponibilidade de produto vai continuar a ser uma preocupação primordial para os investidores em 2018, tendo sido indicado como o maior obstáculo para 34% dos entrevistados europeus, sendo aliás, um desafio que os investidores enfrentam em todo o mundo.

O preço dos ativos tornou-se uma das maiores preocupações para investidores e é ainda mais acentuado do que no estudo do ano passado. Quase metade (44%) dos entrevistados na região EMEA afirmou que o preço é um obstáculo ao investimento, em comparação com 38% em 2017. Simultaneamente, o setor continua a praticar preços razoáveis em relação a outras classes de ativos, particularmente considerando os retornos mais elevados e as características defensivas que o imobiliário oferece. O preço competitivo dos ativos está também a encorajar alguns investidores que procuram vender imobiliário, com 40% dos investidores a contar vender mais em 2018 do que em 2017. Uma maior propensão para vender, bem como para comprar, é é um bom presságio para a liquidez do mercado em 2018.

Jos Tromp, Diretor de Research, CBRE EMEA
Com uma disponibilidade limitada de stock, antecipamos que os investimentos a um nível institucional continuarão a prosperar, já que os investidores procuram encontrar formas de aumentar a sua exposição ao mercado imobiliário. As yields prime estão em mínimos históricos, o que obriga os investidores a procurar classes de ativos alternativos através das quais diversificam o risco, protegem-se contra um eventual abrandamento e tiram partido das mudanças estruturais que estão a incrementar a procura nestes setores.
Jos Tromp, Diretor de Research, CBRE EMEA

Metodologia

O Investor Intentions Survey foi conduzido entre 26 de dezembro de 2017 e 24 de janeiro de 2018. O estudo reúne as respostas de 1.010 inquiridos em todo o mundo. Este relatório compreende os 350 entrevistados que indicaram ser responsáveis pelos investimentos na região EMEA. As respostas abrangeram diversos tipos de investidores. Os mais numerosos foram gestores de fundos / ativos, que representaram 44% dos participantes na pesquisa. As companhias de seguros, os fundos de pensões e os fundos soberanos foram responsáveis por 15%. Os outros inquiridos foram promotores (9%), private equity (7%), particulares / family offices (7%), sociedades imobiliárias cotadas (incluindo REITs) (7%), sociedades imobiliárias privadas (5%).